Ambulantes de Caruaru na mira de novo projeto de reordenação do centro

Ao andar pelas ruas do centro de Caruaru, em destaque nas avenidas XV de Novembro e a Rio Branco, nos deparamos com diversos ambulantes de comidas, brinquedos e artesãos vendendo suas mercadorias nas calçadas. O cenário é polêmico já que aconteceram diversas denuncias por parte da população, e a Prefeitura de Caruaru já tentou diversas ações para a retirada dos ambulantes das calçadas, em uma ideia de reordenamento do centro. A equipe do PMU foi conhecer os dois lados dessa história.

(Imagem: Sabrina Sales)

Alexandre Fausto é artesão e juntamente com sua esposa Sofia vende sua arte na calçada em frente a Igreja Matriz de Caruaru. Sofia conta que o sustento deles vem das vendas que eles fazem, e que nunca foram parados. “Os fiscais olham, mas nessa calçada aqui, nesse espaço já é para expor a arte. Meu marido tem uma carteirinha de artesão, ele faz pulseira e pintura em cerâmica. Se algum dia pararem ele mostra a carteirinha. Cada cidade tem seu lugar, mas essa carteirinha serve pra o Brasil inteiro, é o que diz na carteirinha, ela vale por 5 anos, e tem que fazer a renovação.” contou a esposa do artesão.

“Faz uns nove anos que eu trabalho com artesanato, aqui na calçada faz uns 6 ou 5 anos. A maioria dos artistas de rua viajam, fica um pouquinho em cada cidade. Já fui pra vários lugares, eu vou e fico, porque eu moro aqui. Pra provar que somos artesãos basta olhar pro nosso trabalho, algumas coisas faz na hora, outras traz pronta, mas dá pra ver que a gente fez a mão.” contou a artesã Gabriele Onório, que expõe seu trabalho na avenida Rio Branco.

Artesã Gabriela Onório (Imagem: Sabrina Sales)

A Lei 13.180/2015 regulamenta o trabalho do artesão no brasil. No artigo 3º, ela afirma que  “o artesão será identificado pela Carteira Nacional do Artesão, válida em todo o território nacional por, no mínimo, um ano, a qual somente será renovada com a comprovação das contribuições sociais vertidas para a Previdência Social, na forma do regulamento.” 

A ambulante de comida, Tamires Oliveira, contou que trabalha como ambulante a oito anos, e que já mudou muito de lugar, sempre pela XV de Novembro, ela contou que sua mercadoria muitas vezes já chegou a ser presa. “Os fiscais não deixavam a gente trabalhar direito, agora que eles estão com essa proposta estão deixando a gente mais de boa. Mas eles ficam querendo tirar a gente. A gente não podia ter ponto fixo, ambulante tem que ficar andando.” relatou Tamires. 

(Imagem: Sabrina Sales)

Já o ambulante de brinquedos Carlos Henrique, trabalha com brinquedos a 20 anos, e disse que nunca teve nenhum tipo de problema com os fiscais “Eles não embaçam (sic), o que eles reclamam é quando ta a mercadoria exposta demais, ai falam pra organizar pra não interromper tanto a calçada.”

A Prefeitura

O PMU foi atrás de respostas da Prefeitura, e o tenente Tibúrcio  informou que fiscalizações são feitas diariamente, pela Secretária de Serviço Público, e que tem um projeto sendo feito para relocar esses ambulantes de local, pois, de acordo com ele, a gestão sabe que eles precisam trabalhar. “Esse projeto está bem adiantado, em fase de conclusão, e a gente quer ver se daqui para o final de dezembro consegue fazer esse remanejamento das calçadas para esses locais, que foram já estabelecidos.” 

Sabrina Sales

Estudante do sexto período de Comunicação Social com Ênfase em Jornalismo pela Unifavip – DeVry em Caruaru/PE.