Primeiro semestre da Sulanca não apresentou melhoras em relação a 2016

A Feira da Sulanca, em Caruaru, é um dos grandes motores da economia local e dos municípios vizinhos. Todas as segundas-feiras, cerca de 50 mil pessoas circulam no Parque 18 de Maio. Além de gerar renda para os mais de 10 mil feirantes que comercializam no local, a feira ainda gera vendas paralelas em estacionamentos e barracões. Com tudo isso, a famosa Feira chega a movimentar semanalmente cerca de R$ 40 milhões, em sua maioria com pagamentos à vista.

(Foto: Leonardo Santos/PMU)

Entretanto, com a crise econômica instalada no país há alguns anos, os feirantes têm observado uma queda significativa na circulação de pessoas e de vendas. Em 2017, o cenário não mudou muita coisa. Após uma série de fatores como um incêndio que atingiu cerca de 27 barracas, em maio, e as chuvas que vêm caindo na cidade nos últimos dias, o primeiro semestre da feira é marcado por queda na movimentação de pessoas e circulação de dinheiro.

Lucivânia Moura vende artigos infantis na Feira da Sulanca e afirma que em relação a 2016, as vendas caíram muito. Para ela, a sensação é de que as vendas de seus produtos caíram em cerca de 40% a 50%. Lucivânia destaca que um dos maiores fatores para a queda, é a má de estrutura do local e a falta de divulgação.

Perguntada sobre o São João, período de maior movimentação em vendas e compradores, Lucivânia diz houve uma melhora, mas que não foi suficiente. “Acho que um dos maiores problemas é a estrutura e falta de divulgação. Como as pessoas vão conhecer ou se interessar pela feira se não há estrutura e uma boa divulgação?”.

Márcio Vicente também é feirante e em sua loja comercializa produtos como calça e camisa social, entre outros. Ele também afirma que o primeiro semestre da feira foi fraco, mas que no período junino, as vendas melhoraram. Questionado sobre quais seriam os fatores para esta queda, Márcio afirma que a crise econômica é talvez a maior, contudo, a falta de alguns produtos na feira local acaba levando os compradores para outras feiras, como a de Santa Cruz. “É difícil definir porque alguns dizem que aqui está ruim, mas nas outras feiras também. Então, acho que seja geral”, afirma.

O Portal Mídia Urbana conversou com o presidente da Associação dos Sulanqueiros de Caruaru, Pedro Moura, que relatou que o cenário é o mesmo do ano passado. Segundo ele, a seca e a crise econômica do Brasil foram fatores fundamentais para a queda nas vendas.

Porém, Pedro afirma que há expectativas de que o segundo semestre seja de crescimento, devido às chuvas dos últimos meses e a chegada do verão, que com ele traz o décimo terceiro para o bolso de milhares. Ainda de acordo com Moura, a economia brasileira está caminhando para um leve crescimento e isso pode refletir na Feira da Sulanca, em Caruaru. “Acredito que nada mudou em relação ao ano passado. Os problemas são os mesmos, mas com a economia do Brasil respirando um pouco mais e a chegada do segundo semestre, as coisas devam melhorar”.

(Foto: Rafael Lima)

O PMU também entrou em contato com a Prefeitura de Caruaru, através da Secretaria de Serviços Públicos, para falar sobre as ações que já foram realizadas na feira e as que ainda pretendem ser feitas, além da possível transferência dela. Por meio de nota, a pasta informou que em ação com o “Comando Presente”, um diagnóstico com os problemas emergenciais da feira foi realizado.

Ainda de acordo com a Secretaria, foram identificados problemas em 16 setores, como infraestrutura, acessibilidade, mobilidade, trânsito, iluminação, pavimentação, ambulantes e segurança. Já em relação à transferência da feira, a pasta afirmou que um estudo está sendo realizado, mas por enquanto, a prefeitura está priorizando ações que melhorem o atual local.

Geison Flávio

Estudante do 3º período de jornalismo e estagiário no Portal Mídia Urbana