“Uma visita para observar os erros e acertos e aprender com eles” afirma arquiteto

Um grupo de empresários das entidades comerciais de Caruaru visitaram no início deste mês o centro comercial de Maceió, capital de Alagoas. A proposta era conhecer ações que deram certo e contribuíram para o desenvolvimento do espaço que passou a integrar de maneira mais planejada as lojas e o pedestres.

Swami Lima (Foto: Arquivo Pessoal)
Swami Lima (Foto: Arquivo Pessoal)

O Mídia Urbana entrevistou o arquiteto e urbanista, Swami Lima, que também fez parte da comitiva, para debater a visita e como ela pode contribuir para o desenvolvimento do comércio da Capital do Agreste, responsável por atrair consumidores de todas as regiões do Estado.

PMUNo início deste mês você e um grupo composto por empresários realizaram uma visita para conhecer o Centro comercial de Maceió, capital de Alagoas. Qual o objetivo desta missão?

O objetivo central foi conhecer as experiências recentes desenvolvidas pela Aliança Comercial e a prefeitura da capital, no que concerne à melhoria das condições de infraestrutura urbana do centro da cidade. Uma visita para observar os erros e acertos e aprender com eles.

PMUO que você identificou de positivo no comércio de Maceió, que pode ser aplicado em Caruaru? Quais as principais diferenças entre os dois comércios?

A primeira impressão positiva diz respeito à utilização de algumas ruas comerciais como calçadões de pedestre, onde o mesmo circula livremente e sem obstáculos, permitindo assim um ganho considerável na acessibilidade e iluminação, haja visto que os pisos são nivelados e a fiação dos novos postes é toda embutida no subsolo. Quanto às diferenças, destacaria a existência da Aliança Comercial, entidade que congrega os principais comerciantes da cidade e que possui forte atuação junto ao poder público na busca por soluções para os problemas existentes no centro da cidade.

(Foto: Janaína Pepeu/PMU)
(Foto: Janaína Pepeu/PMU)

PMU – Caruaru tem o centro comercial mais forte do Estado fora da região metropolitana e do Recife. A cidade possui características de metrópole e atrai consumidores de diversas cidades do interior. Atualmente quais são os principais gargalos que impedem uma modernização e crescimento do comércio local?

Considerando essa vitalidade comercial e a natureza da urbanização de nosso centro, é preciso considerar que ao longo do tempo diversas intervenções foram realizadas sem considerar o impacto e as consequências dessas alterações, do ponto de vista da mobilidade, segurança, meio ambiente, etc. Nesse sentido, diversos fatores somados precisam ser trabalhados para facilitar e incentivar o desenvolvimento do centro.

PMU – O centro comercial é uma veia importante para a economia duma cidade. Em Caruaru, a situação não é diferente. Na sua opinião, como devemos pensar esse ambiente tão importante na atualidade, num momento que se discute um crescimento sustentável que garanta o direito dos pedestres e propicie o crescimento do comércio?

Em tempos de mobilidade sustentável, as principais mudanças devem ocorrer no sentido de melhorar as condições de acesso e estacionamento, bem como implantar novos pontos de embarque e desembarque dentro de um novo conceito, integrando linhas e favorecendo deslocamentos, com a inversão e redirecionamento do fluxo de algumas vias, de modo a tornar o centro da cidade um grande hub de conexões, do modo mais eficiente e equilibrado possível, buscando conciliar os diversos interesses que existem nesse território da cidade.

PMU – Na Capital do Agreste, já houveram várias tentativas de modificar a Rua Duque de Caixas para transformar o local numa espécie de calçadão, além de tempo limite de permanência de um ambulante no mesmo local. Porém, nenhuma destas ações surtiram o efeito esperado ou saíram do papel. Porque essas ações nunca foram eficazes e o que é ideal para Caruaru neste momento?

Ações de pedestrianização de vias ou de moderação de tráfego na cidade devem ser implantadas em conjunto com uma série de outras ações coordenadas, envolvendo as diversas categorias que compartilham o centro da cidade. É preciso considerar que tudo isso deve ser trabalhado a partir de um plano de mobilidade e de revalorização das áreas centrais a partir de seus espaços públicos abertos, de forma participativa e pactuada entre governo e sociedade.

É a partir daí que a cidade de reinventa, que se renova e que gera novas transformações em todo o entorno, como é visto em diversos centros de cidades que apostaram na transformação de seus espaços símbolo e que mantiveram uma constância no investimento e na gestão, muitas vezes através de parcerias que apontaram para o bem comum e coletivo em detrimento do individual, compartilhando responsabilidades. Esse é o caminho para a melhoria das nossas cidades: Mais cidadania.

Mikhael Marcolino

Jornalista pela Unifavip/DeVry. Sempre em busca da melhor informação com credibilidade e responsabilidade, é um apaixonado pelas belezas naturais, música, gastronomia e cultura de Caruaru, além de um amante da cultura pop.

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