Alunos e professores de Caruaru debatem “Escola Sem Partido”

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Alunos e professores de Caruaru debatem “Escola Sem Partido”

O Projeto Escola Sem Partido avançou na Câmara dos Deputados na última quinta-feira (22). O Projeto impõe o que os professores poderão ensinar em

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(Foto: Reprodução/Internet)

O Projeto Escola Sem Partido avançou na Câmara dos Deputados na última quinta-feira (22). O Projeto impõe o que os professores poderão ensinar em sala de aula, e deixa claro que a educação religiosa, sexual e moral devem ficar a cargo da família, e não das instituições de ensino.

Depois que o “Escola Sem Partido” ficou conhecido, vários projetos de leis foram criados e tramitaram em câmeras municipais, assembleias legislativas e no Congresso Nacional. Na maioria dos casos, os projetos seguem moldes do anteprojeto elaborado pelo ‘Escola sem Partido’. Em Caruaru, o vereador Daniel Finizola criou o um projeto de lei que proíbe que alunos filmem seus professores em sala de aula.

Leia Também: Daniel Finizola apresenta projeto de lei que proíbe aluno de filmar professores em sala de aula

O Portal Mídia Urbana conversou com professores e alunos de Caruaru, para entender qual a opinião deles sobre os polêmicos projetos.

A Professora do ensino fundamental, Cícera Nascimento, é contra o projeto “Escola sem Partido”, pois acredita que se trata de uma lei com intensão de silenciar os professores que tem posições críticas sobre a realidade atual. “Além disso, impossibilitará a prática de uma educação que estimula a reflexão crítica também para os estudantes”.

A professora acha fundamental a aprovação do projeto de autoria de Daniel Finizola, pois de acordo com ela, irá garantir proteção ao profissional. “No entanto, precisamos informar e sensibilizar escola e comunidade sobre a desumanização das relações entre estudantes e professores . A educação precisa ter como princípio o respeito mútuo”.

Outra professora do ensino fundamental que preferiu não se identificar, acha que o Escola sem Partido é um projeto contraditório, porque ela acredita que o professor não ensina ideologia de nenhum partido, e sim ensina conceitos. “Você supõe que o aluno chegue na escola preparado no sentido básico da educação, mas nas escolas públicas nem sempre é isso que vemos, muitos alunos não tem isso porque a família é desestruturada e não se importa, ai o professor tem que parar de dar conteúdo e conversar com esse aluno para entender o que está acontecendo”.

Essa mesma professora acha absurdo o fato de alguns alunos filmarem os professores com a intenção de coagir e expor esses educadores. “Eu como professora não me importo que me filmem, mas quero saber qual o sentido de estar me filmando, se é um aluno que fala que esta me filmando para estudar depois, eu não vejo problema com isso, mas sabemos que muitas vezes o sentido é outro”.

A OPINIÃO DOS ESTUDANTES

A estudante do segundo ano do ensino médio, Amanda de Carvalho, contou a nossa equipe que não conhecia sobre o projeto, mas depois de conhecer um pouco sobre, ela ficou indecisa se era a favor ou contra ele. “Não é todo pai e toda mãe que realmente repassa uma boa educação ao filho, tipo moral e respeito ao próximo. Ou seja, tem coisas que deveriam ser dadas pelos pais e muitas vezes eles não dão, e os professores sim”.

Já por outro lado, Amanda também acredita que os professores devem ter um limite. “Há poucos dias uma amiga descordou do professor sobre o teor de homossexualidade de uma questão do Enem, e ele chamou ela de extremista em frente a turma inteira”.

Sobre o projeto de lei do vereador Daniel Finizola, Amanda é completamente a favor, ela acredita que além de não filmar os professores, os estudantes não deveriam nem estar com celulares em sala de aula.

João Lucas é aluno do nono ano do ensino fundamental, ele contou que já ouviu falar sobre o Projeto Escola Sem Partido durante uma aula. “Eu acho um absurdo quererem que os professores não possam falar do que bem entendem em sala de aula, eu tenho um amigo que teve depressão, e foi graças a intervenção de uma professora nossa que ele fez tratamento”.

Em relação ao projeto do vereador de Caruaru, João diz que não concorda, pois ele costuma filmar ou gravar as aulas para poder estudar para as provas. “Não acho justo que alunos que utilizam dessa ferramenta para estudar como eu sejam prejudicados por alunos que filmam só por maldade”.

AUTOR DO PROJETO

O vereador Daniel Finizola acredita que o projeto “Escola sem Partido” fere princípios da relação ensino aprendizagem. “Professor não deve impor, mas é fundamental o debate plural para construção de um pensamento crítico”.

Em relação ao Projeto de Lei de sua autoria, que está sem data ainda para ser analisado, o vereador diz que tem o objetivo de trazer o debate para a sociedade. “Por exemplo, o preconceito é um mal social que mata e deixa a violência cada vez mais presente na sociedade. É preciso trazer isso para ser discutido com a sociedade”.

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