Mototaxistas afirmam que corridas diminuíram 50% em Caruaru

(Foto: Leonardo Santos)

A chegada dos aplicativos de transporte em Caruaru facilitou a vida de muita gente que precisa se deslocar na cidade. Por outro lado, o sucesso desses apps dificultou a vida dos mototaxistas, que sentiram na pele e no bolso, a perca de clientes para os aplicativos.

A equipe do Portal Mídia Urbana entrou em contato com o presidente da Associação dos Mototaxistas (SindMoto) de Caruaru, Marco Berto, para entender mais como esses aplicativos afetaram a categoria, e quais medidas estão sendo tomadas para que o movimento melhore.

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Marco contou que com a chegada dos apps o movimento dos mototaxistas caiu aproximadamente em 50%. Ele explicou que a categoria irá brigar para que os aplicativos tenham uma quantidade máxima de carros para rodar. “Daqui a pouco vai ter três, quatro, cinco mil carros em aplicativos, e como vai ficar a situação? Não só dos mototaxistas mas de todos os transportes públicos. Fazemos cursos, pagamos nossos alvarás, e chega alguém, que nunca fez nada e vai trabalhar, sem preparo nenhum, é uma situação muito difícil e chata”.

No próximo dia 10 de abril, Marco conta que a categoria terá uma audiência pública na Câmara Municipal de Caruaru, onde irão lutar para que sejam realizadas todas as pautas para que melhore a situação atual dos mototaxistas e do transporte público em geral.

Outro projeto que a categoria está querendo fazer, é a definição de uma tabela de preços fixos. “Infelizmente existem mototaxistas que as vezes exploram o passageiro, o pensamento da gente é que se formalize uma tabela com os valores, de lugares a lugares”.

De acordo com Marco, o principal problema da categoria hoje, é a falta de fiscalizações dos que trabalham clandestinamente, de acordo com ele, a Destra deveria contratar mais pessoas para poder intensificar esse trabalho. “Eles só param quando tem blitz, mas não pode, tem que fazer um trabalho forte, se não, não vai diminuir, e a categoria ta sofrendo com isso”.

O mototaxista, Marcelo Xavier, contou que após os aplicativos começarem a funcionar na cidade, suas corridas tiveram uma queda de pelo menos 30%. “Eu não culpo ninguém pois isso faz parte do avanço tecnológico. Prefiro diminuir um pouco meus gastos, por exemplo diminuir na pizza de final de semana, diminuir um passeio, tem que cortar algumas coisas pra se adequar a esta queda”.

Marcelo conta ainda que mesmo com essa queda ele não pensa em trabalhar por aplicativos, pois o lucro é muito baixo, porém, ele acredita que quando os motoristas tiverem que pagar taxas ao município como sua categoria paga, haverá um equilíbrio maior.

Sobre a criação de uma tabela fixa, Xavier concorda completamente, e acha que já deveria existir. Ele contou ainda sobre um projeto do Sindicato do início de 2018, sobre o uso de um motocimetro, porém, não sabe informar o porque o projeto não foi pra frente.

Já Marcos , que também é mototaxista procurou outras formas para se adaptar a queda de clientes ocasionadas pela chegada dos aplicativos. “Hoje me agreguei e estou prestando mais serviços a empresas, devido a essa demanda de aplicativos, diminuiu muito o trabalho da gente, se antes fazia 80 reais por dia, hoje faz 40 e olhe lá”.

Ele explicou que com essas mudanças, sentiu a necessidade de se adaptar, e trabalhar para as lojas está sendo algo positivo para sua carreira, e quando surgem corridas durante o dia já é algo a mais.

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